O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (27) que desconhecia a possível viagem do ex-candidato aos Estados Unidos. A declaração foi feita após uma reunião com parlamentares e lideranças do PL, em Brasília.
Segundo Marinho, ele havia conversado com Flávio na segunda-feira (26) sobre a importância de o senador assumir a liderança da oposição após o resultado das eleições presidenciais. O coordenador da campanha disse ter sido surpreendido pelas notícias sobre a possível saída do parlamentar do Brasil.
“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição”, declarou Marinho. Ao comentar a situação política do país, ele também fez críticas ao governo federal, ressalvando que essa era a avaliação do grupo político.
Marinho afirmou ainda ter recebido uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h desta terça-feira. Conforme seu relato, o senador teria dito que iria “dar um tempo” e que voltaria a conversar com os aliados posteriormente.
Notícias sobre possível viagem aos Estados Unidos
A possível ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi noticiada pela agência Reuters e repercutiu entre aliados políticos do senador. Um interlocutor do governo norte-americano também teria confirmado a chegada do parlamentar ao país, segundo informações divulgadas pela imprensa.
No Brasil, o senador Carlos Jordy (PL-RJ), aliado de Flávio, publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que a viagem teria ocorrido para evitar que o parlamentar fosse utilizado como moeda de troca em discussões relacionadas a um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até o momento descrito nas informações divulgadas, não havia manifestação oficial de autoridades brasileiras ou norte-americanas que esclarecesse todos os detalhes da suposta viagem. As circunstâncias da saída do país e os motivos atribuídos ao deslocamento também não foram oficialmente esclarecidos.
Decisão judicial e investigações
A possível viagem ocorre em meio a investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas, o senador é investigado em procedimentos que apuram suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro e outras possíveis irregularidades. A existência de uma investigação, por si só, não significa que os fatos tenham sido comprovados.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes teria determinado que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e o proibido de deixar o país. A decisão, que estaria sob segredo de Justiça, tornou-se pública após o próprio parlamentar comentar o assunto nas redes sociais.
De acordo com as informações divulgadas, os documentos não foram entregues no prazo determinado, e a Polícia Federal cancelou os passaportes. O caso estaria relacionado a uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro que também envolve o advogado Willer Tomaz.
Em um vídeo publicado anteriormente, Flávio havia negado que pretendesse deixar o Brasil e afirmado que entregaria os passaportes. A notícia sobre a possível viagem aos Estados Unidos surgiu posteriormente, gerando questionamentos entre integrantes do próprio grupo político.
O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado, pelo Rio de Janeiro, tem término previsto para fevereiro de 2027. A eventual perda do foro por prerrogativa de função dependerá das regras aplicáveis aos procedimentos em andamento e das circunstâncias de cada investigação.
Até que as autoridades esclareçam a situação, os detalhes sobre a possível viagem, o cumprimento da ordem judicial e seus desdobramentos permanecem sujeitos a confirmação oficial.



