O dólar fechou em forte alta nesta segunda-feira (26), cotado a R$ 5,4027, avanço de 8,21% no dia. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,6048. Na Bolsa brasileira, o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 13,88%, encerrando o pregão aos 176.608 pontos, após uma sessão marcada por forte turbulência nos mercados financeiros.
A queda da Bolsa levou a B3 a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de movimentos acentuados de baixa. A paralisação ocorreu nos primeiros minutos do pregão, quando o Ibovespa recuou mais de 10%. Após a retomada das operações, o índice chegou a registrar queda superior a 17%.
O resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), esteve entre os principais fatores associados à reação dos investidores. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu parte do mercado, segundo as avaliações divulgadas durante o pregão.
Investidores passaram a reavaliar as perspectivas para a economia brasileira, especialmente em relação à política fiscal, à trajetória da dívida pública, ao controle das despesas do governo e às metas fiscais. A incerteza sobre os rumos da política econômica contribuiu para aumentar a volatilidade dos ativos nacionais.
Os contratos de juros futuros também registraram forte alta, com alguns vencimentos atingindo limites de oscilação da B3. Por volta das 10h, a taxa para janeiro de 2027 avançava de 13,475% para 13,898% ao ano. Para janeiro de 2029, subia de 12,595% para 15,03%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2035 avançava de 12,68% para 15,375%.
Os juros futuros refletem as expectativas dos investidores para as taxas nos próximos meses e anos. Embora não representem um aumento imediato da taxa básica de juros, movimentos persistentes de alta podem elevar o custo do crédito para empresas e consumidores.
Em meio à instabilidade, o Tesouro Nacional realizou uma operação de recompra de títulos públicos que movimentou aproximadamente R$ 7,1 bilhões. Foram recomprados cerca de 8,4 milhões de títulos prefixados, em uma medida que buscou amenizar as pressões sobre os preços dos papéis e as taxas de rendimento.
No mercado internacional, as ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos também registraram perdas expressivas. O fundo de índice EWZ, que acompanha ações brasileiras e é negociado em Nova York, chegou a apresentar queda de 26,16% antes da abertura dos mercados norte-americanos, segundo os dados divulgados.
Os preços do petróleo também permaneceram no radar dos investidores, em meio às preocupações com possíveis interrupções no fornecimento da commodity relacionadas às tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 117,12, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, recuava 0,34%, cotado a US$ 102,92.
A agenda econômica da semana também ganhou importância. O mercado aguardava a divulgação do Boletim Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras para indicadores da economia brasileira, além de dados sobre confiança dos investidores e investimento estrangeiro direto. No exterior, a expectativa se concentrava na decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central norte-americano, prevista para quarta-feira (28), e nas reuniões dos bancos centrais europeu e japonês.
A forte oscilação dos mercados reacendeu comparações com episódios anteriores de instabilidade na Bolsa brasileira. A última sequência de acionamentos do circuit breaker ocorreu em março de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando a B3 interrompeu as negociações seis vezes em um único mês.
O comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das sinalizações sobre a política econômica do governo eleito, das expectativas para as contas públicas e do cenário internacional. A reação inicial dos mercados reflete as incertezas dos investidores, mas não determina, por si só, o desempenho futuro do dólar e da Bolsa.


