A diarista Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar um casal de idosos no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, será submetida nesta segunda-feira (14) a uma perícia psiquiátrica para avaliar sua condição de saúde mental.
O exame foi determinado pela Justiça de Minas Gerais após a defesa da ré solicitar a instauração de um incidente de insanidade mental, pedido aceito em agosto. A avaliação deverá verificar se, na época dos fatos, Paola tinha capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos e de agir de acordo com esse entendimento.
A realização da perícia, por si só, não significa que a acusada tenha sido considerada inimputável. O processo criminal principal permanece suspenso enquanto o exame é realizado e o respectivo laudo é elaborado. A informação foi apresentada pelo juiz Alexandre Magno, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.
Paralelamente à perícia, os advogados Bruno Corrêa e Lucas Salmon tentam obter a liberdade de Paola por meio de um habeas corpus. A defesa argumenta, entre outros pontos, que ela é primária e que o episódio investigado seria um fato isolado em sua trajetória.
Um pedido liminar de liberdade já havia sido negado em segunda instância. Na decisão, o desembargador Valladares do Lago destacou a gravidade das acusações e mencionou informações presentes no processo sobre a quantidade de ferimentos encontrados nas vítimas. O magistrado também citou elementos que apontariam para outros crimes patrimoniais atribuídos à acusada. Essas informações integram a fundamentação judicial e não representam condenação definitiva. O habeas corpus ainda será analisado pela 4ª Câmara Criminal.
Acusação aponta que idosos foram dopados
Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foram mortos em julho deste ano dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro. Segundo as investigações, Paola havia começado a trabalhar como diarista para o casal poucos dias antes do crime.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sustenta que a acusada teria colocado clonazepam em uma bebida para reduzir a capacidade de reação das vítimas. Ainda segundo a acusação, durante uma tentativa de roubo no imóvel, ela teria sido surpreendida pelo casal.
Conforme descrito na denúncia, Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com golpes de faca. O Ministério Público também aponta que teria havido uma tentativa de eliminar vestígios antes da saída da acusada do apartamento.
As circunstâncias descritas fazem parte da acusação e ainda serão analisadas pela Justiça durante o processo criminal.
Cartões das vítimas teriam sido utilizados
O Ministério Público afirma ainda que, após as mortes, cartões bancários pertencentes às vítimas teriam sido utilizados em um restaurante no Centro de Belo Horizonte. Segundo a acusação, transações teriam sido simuladas em máquinas de cartão para obtenção de dinheiro, com participação do proprietário do estabelecimento.
Paola foi presa dias depois em um hotel de Itabira. De acordo com a Polícia Civil, havia suspeita de que ela pretendesse deixar Minas Gerais acompanhada do filho.
Além da diarista e do proprietário do restaurante, o Ministério Público solicitou novas diligências envolvendo um primo de uma das vítimas, que teria indicado Paola para trabalhar no apartamento. A Promotoria apontou possíveis contradições e omissões no depoimento dele e pediu o desmembramento dessa parte da apuração para aprofundamento das investigações.
Agora, o andamento da ação criminal envolvendo Paola dependerá da conclusão da perícia psiquiátrica e da apresentação do laudo à Justiça.



