O coronel Flávio Santiago, diretor de Comunicação Organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), se emocionou durante uma entrevista coletiva realizada na sexta-feira (9), em Belo Horizonte, ao comentar a queda de uma aeronave da corporação que matou três policiais militares no Vale do Aço.
“Talvez seja a coletiva mais difícil da minha vida”, declarou o oficial ao falar sobre a perda dos colegas.
O acidente ocorreu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso. As vítimas eram integrantes do Comando de Aviação do Estado (Comave) e realizavam um voo de treinamento para rechecagem de habilitação.
Os militares foram identificados como o tenente-coronel Luiz Fernando Silvestre, de 49 anos, a tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35, e a tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos.
Durante a coletiva, Santiago destacou a trajetória profissional do tenente-coronel Silvestre, que pilotava a aeronave no momento do acidente. Segundo o porta-voz da PMMG, o oficial era considerado um dos profissionais mais experientes da corporação e acumulava mais de 5 mil horas de voo. Ele comandava o Esquadrão de Aviões do Comave, tinha mais de duas décadas de serviço na Polícia Militar e deixou esposa e três filhos.
O coronel também afirmou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que os militares possuíam as habilitações necessárias para realizar o voo. As condições da aeronave e da tripulação, porém, não esclarecem, por si só, as causas do acidente, que seguem sob investigação.
Quem eram as outras duas vítimas
A tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35 anos, era natural de Belo Horizonte e entrou para a história da PMMG como a primeira mulher da corporação habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa, em 2023. Ela acumulava aproximadamente 300 horas de voo e havia retornado recentemente da licença-maternidade. Gabriela deixou marido e dois filhos pequenos.
Um dia antes do acidente, o Comave havia publicado uma homenagem nas redes sociais pelo retorno da militar às atividades.
A tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos, era natural de Caratinga, na Região do Rio Doce. Ela também acumulava cerca de 300 horas de voo e atuava tanto como piloto quanto na área de manutenção de aeronaves da corporação. Antes de ingressar na Polícia Militar, havia servido no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.
Aeronave realizava treinamento
O avião envolvido no acidente era o Pegasus 17, um bimotor Beechcraft Super King Air 300, de prefixo PP-EJO. A tripulação realizava um voo de rechecagem, procedimento periódico previsto para avaliar e manter as habilitações dos pilotos.
A aeronave havia partido do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino ao Vale do Aço. Após pousar no aeroporto regional, caiu nas proximidades do terminal depois de uma nova decolagem. Os três militares morreram no local.
A Polícia Civil de Minas Gerais e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apuram as circunstâncias da queda. Até o momento, não há conclusão oficial sobre as causas do acidente.
Em homenagem aos militares, o Governo de Minas Gerais anunciou luto oficial de três dias.



