O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representado por integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou extrajudicialmente a revista Veja, da Editora Abril, solicitando direito de resposta a uma reportagem publicada na sexta-feira (9) sobre um suposto depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A controvérsia envolve uma publicação que relaciona um suposto financiamento de um documentário sobre Lula a interesses em negócios com o governo federal. Padilha contesta as alegações, e a notificação sustenta que as informações são falsas e não têm fundamentação probatória.
A Polícia Federal (PF) afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem e que também não entregou à instituição documentos, anexos ou informações com o teor divulgado pela revista.
Em nota, a corporação declarou que o ex-banqueiro não apresentou o depoimento mencionado na publicação. A notificação enviada à Veja também cita manifestações oficiais da PF, da Procuradoria-Geral da União e da defesa de Vorcaro que, segundo o documento, contradizem a versão apresentada pela revista.
O advogado Daniel Bialski afirmou que não tinha conhecimento do suposto financiamento. Ele explicou que não atuava na defesa de Vorcaro quando as propostas de colaboração foram apresentadas e declarou que não houve novo depoimento à Polícia Federal ou a outro órgão sobre o assunto. Segundo o advogado, ele também não teve acesso a documentos que comprovassem o financiamento e o cliente nunca tratou do tema com ele.
Pedido de perícia em áudio
O grupo Prerrogativas, formado por juristas ligados ao campo progressista, solicitou à Polícia Federal uma perícia no áudio divulgado pela Veja relacionado ao caso. A entidade levantou suspeitas de possível adulteração da gravação por meio de montagem de trechos ou uso de inteligência artificial, com eventual objetivo de interferir no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo o grupo, não há informações claras sobre a data, o local e as circunstâncias em que o áudio teria sido gravado. A entidade afirmou ainda ter recebido informações que colocariam em dúvida a autenticidade e a integridade do material.
O Prerrogativas defendeu a apuração técnica da gravação e declarou que, caso sejam confirmadas fraude ou utilização de voz sintetizada para disseminar desinformação eleitoral, os responsáveis poderão responder legalmente.
Até o momento, as suspeitas de adulteração mencionadas pelo grupo constituem alegações que dependem de verificação. A Polícia Federal, por sua vez, negou a existência do depoimento atribuído a Vorcaro com o conteúdo descrito pela revista.



