O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, viajou em janeiro de 2025 de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília, a bordo de um jato executivo que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (23) pela revista piauí. A aeronave também foi utilizada meses depois pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025 e Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas do casal e do advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador. A aeronave é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR.
Segundo a reportagem, a aeronave era formalmente registrada em nome da empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., que dividia a propriedade do jato em três cotas. Uma delas pertencia a Willer Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings. Outra era de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira havia sido adquirida, no fim de 2024, pela Prime You, empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio.
A Prime You também era responsável pela operação do avião. De acordo com informações divulgadas pela empresa, Vorcaro foi sócio da companhia até setembro de 2025. Relatório da Polícia Federal apontou que cada uma das três cotas correspondia a 33,33% da aeronave e tinha valor estimado em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
Após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que, na época da viagem, o avião era de Willer Tomaz e disse que não tinha conhecimento de eventual participação de Vorcaro na propriedade da aeronave. Em uma publicação nas redes sociais, o candidato escreveu, em tom de ironia, que “ainda bem que na época o avião era de Willer” e fez referência ao uso posterior da aeronave por Alexandre de Moraes.
Willer Tomaz também negou ter relação com Daniel Vorcaro. Segundo declaração divulgada por sua assessoria, ele afirmou que só tomou conhecimento em abril de 2026 de que Vorcaro havia adquirido uma participação no avião. Tomaz disse ainda que oferecia carona a amigos quando havia assentos disponíveis, sem cobrança ou contrapartida, e que não confirmou à revista se Flávio Bolsonaro e sua família foram seus convidados no voo.
A viagem ocorreu no período em que estavam em andamento negociações relacionadas ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, Flávio participou das tratativas para um financiamento estimado em US$ 24 milhões, enquanto o publicitário Thiago Miranda também mantinha contato com Vorcaro sobre o projeto. A Polícia Federal investiga o caminho dos recursos e a destinação dos valores relacionados ao filme.
O caso ganhou repercussão também porque a mesma aeronave foi utilizada posteriormente por Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes. A utilização do jato pelo ministro já havia sido objeto de questionamentos públicos e de reportagens sobre a relação da aeronave com empresas ligadas a Vorcaro.



