O Banco Central (BC) reduziu, pela quinta vez consecutiva, a taxa básica de juros da economia brasileira. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano.
A decisão ocorreu mesmo diante das incertezas no cenário internacional, especialmente em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e aos efeitos do fenômeno climático El Niño. Segundo o comunicado divulgado pelo Copom, o ambiente externo exige cautela diante da volatilidade nos preços de ativos e commodities e das incertezas relacionadas à política monetária de algumas economias avançadas.
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, alcançando o maior nível em quase duas décadas. Os cortes foram retomados em abril, em meio a sinais de desaceleração da inflação.
O cenário, porém, continua desafiador para o Banco Central. O início do El Niño pode pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses, enquanto as tensões no Oriente Médio aumentam as incertezas sobre os preços internacionais de commodities.
A decisão também ocorreu com o Copom desfalcado. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para substituí-los.
Inflação
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o índice registrou deflação de 0,32%, influenciado principalmente pelo bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica e pela redução nos preços dos alimentos.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,22%, ante 4,44% em julho. Apesar da desaceleração recente, o índice permanece próximo do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
As projeções para a inflação ainda apontam para um resultado acima do teto da meta em 2026. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado financeiro estima inflação de 4,9% para o ano.
No comunicado, o Copom afirmou que os indicadores recentes apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. Apesar disso, o mercado de trabalho permanece aquecido. O Banco Central também destacou a desaceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes, embora os índices ainda estejam acima da meta de 3%.
Crédito e atividade econômica
A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito e pode estimular o consumo e os investimentos das empresas. Por outro lado, juros mais baixos também reduzem o efeito de contenção da demanda utilizado pelo Banco Central no combate à inflação.
Para 2026, o Banco Central prevê crescimento de 2% para a economia brasileira. A projeção do mercado financeiro, divulgada no boletim Focus, é de expansão de 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB).
A Selic serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Quando a taxa básica sobe, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo e os investimentos podem ser reduzidos. Quando a taxa cai, ocorre o movimento contrário, com possibilidade de estímulo à atividade econômica.
A decisão desta quarta-feira (16) mantém o ciclo de redução dos juros iniciado pelo Copom neste ano, enquanto o Banco Central acompanha os efeitos da inflação, da atividade econômica e das incertezas no cenário internacional.



