A inauguração da Usina Modelo Conceição II, em Itabira, marcou um novo momento para a mineração brasileira. Durante a apresentação da nova planta à imprensa, realizada nesta quarta-feira (10), o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana Madeira, afirmou que o município, berço da Vale, agora também se torna referência na mineração do futuro.
Primeira unidade da empresa no país a operar de forma totalmente automatizada, a Usina Modelo Conceição II reúne tecnologias de automação, inteligência artificial e análise de dados, com capacidade para processar 11,2 milhões de toneladas de minério por ano. O empreendimento recebeu investimento de R$ 200 milhões e faz parte da estratégia de modernização das operações da mineradora.
Para André Viana, a chegada da nova tecnologia representa um avanço importante para o setor, mas deve estar acompanhada de investimentos contínuos na qualificação dos trabalhadores e da preservação dos empregos.

“É o futuro da mineração acontecendo aqui, em Itabira, cidade onde a Vale nasceu e que continua sendo protagonista das inovações tecnológicas da empresa”, afirmou.
Segundo o dirigente sindical, a implantação da usina demonstra que a modernização pode caminhar ao lado da valorização da mão de obra. Ele destacou que grande parte dos trabalhadores que antes atuava diretamente na operação manual foi capacitada para desempenhar novas funções no sistema remoto de controle.
“Melhorou o ambiente de trabalho, aumentou a segurança e as pessoas foram treinadas para operar a nova tecnologia. A inovação não significa exclusão, mas adaptação e preparação para os desafios do futuro”, ressaltou.
André Viana também lembrou que Itabira possui tradição em inovação no setor mineral, citando a implantação das primeiras usinas de concentração de itabiritos na década de 1970 e o desenvolvimento de tecnologias para aproveitamento do itabirito compacto, antes considerado rejeito.
Para ele, a transformação da mineração precisa estar conectada às mudanças globais, especialmente diante da crescente demanda por minerais críticos utilizados em baterias, energias renováveis e tecnologias de baixo carbono.

“O Brasil também precisa avançar nesse segmento, porque o mundo está mudando rapidamente. Não é apenas a usina que precisa inovar; a ferrovia, os portos e toda a cadeia produtiva precisam acompanhar essa evolução”, observou.
Durante a apresentação, o presidente do Metabase classificou como positivas três conquistas recentes para Itabira: a autorização para o reúso de rejeitos, a ampliação da vida útil das reservas minerais da Vale no município e a inauguração da Usina Modelo Conceição II.
Já o diretor de Operações do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro, destacou que os resultados do novo modelo já podem ser percebidos. Segundo ele, em menos de dois anos de projeto piloto, a unidade registrou aumento de 25% na produtividade, além de crescimento de 40% na produção de pellet feed de redução direta, insumo considerado estratégico para a descarbonização da siderurgia.
A modernização também trouxe ganhos ambientais, como a redução de 26% do teor de ferro nos rejeitos e o reaproveitamento de 92% da água utilizada no processo industrial, fortalecendo o conceito de mineração circular e sustentável.
Ao todo, 122 operadores, instrumentistas e líderes passaram por um programa de capacitação que somou mais de 2.800 horas de treinamento, com o uso de simuladores e recursos de realidade virtual. A implantação do projeto contou com parceria da empresa ABB, referência mundial em automação industrial.
Para André Viana, a consolidação desse novo modelo deve servir de exemplo para outras unidades da Vale, mas o desenvolvimento tecnológico precisa continuar sendo acompanhado de responsabilidade social e valorização dos trabalhadores.
“Queremos que todo esse avanço corporativo também se transforme em progresso para aqueles que fazem da Vale uma das maiores mineradoras do mundo”, concluiu.


