O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais nesta sexta-feira (30), diretamente dos Estados Unidos, para explicar os motivos que, segundo ele, levaram à decisão de deixar o Brasil com a esposa e as duas filhas. Durante a transmissão, o parlamentar também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez previsões sobre a economia brasileira e anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a disputa pela Presidência do Senado Federal.
Ao iniciar a transmissão, Flávio afirmou que decidiu falar após a repercussão de sua saída do país. Ele agradeceu aos apoiadores e disse que a situação tem sido difícil para sua família. Segundo o senador, permanecer no exterior permitiria que ele se manifestasse com mais liberdade.
“Eu queria rapidamente narrar o momento em que eu tomei essa decisão de vir para cá junto com a minha família”, declarou.
Senador relata intimação da Polícia Federal
Durante a live, Flávio relembrou a visita que fez ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na segunda-feira (26). Na ocasião, segundo seu relato, ele conversou com o ex-presidente sobre o resultado das eleições e, ao deixar a residência, foi informado por agentes da Polícia Federal de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação judicial estabeleceu a apreensão dos passaportes do senador e a proibição de deixar o Brasil. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que tramita no Supremo. Flávio afirmou que recebeu a intimação ao sair da casa do pai e que a notícia o levou a conversar com a esposa antes de decidir deixar o país.
O parlamentar também mencionou a situação de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e de seu irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Em sua transmissão, Flávio disse que não sabia quando poderia voltar a encontrar o pai e classificou a decisão judicial como parte de uma perseguição política.
A Polícia Federal informou que havia solicitado as medidas cautelares ao STF após identificar risco de saída do senador do país. Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos em uma aeronave particular, acompanhado da família. A corporação investiga as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial.
Flávio prevê crise econômica no Brasil
Outro tema abordado pelo senador foi a situação econômica brasileira. Durante a transmissão, ele afirmou que o país caminha para uma crise e avaliou que o agravamento do cenário poderia comprometer a permanência de Lula na Presidência.
“Infelizmente, o Brasil está fadado a quebrar, e eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina”, declarou.
Flávio também criticou as perspectivas econômicas do governo. Segundo ele, a adoção de determinadas medidas poderia acelerar as dificuldades, enquanto a falta de mudanças também traria consequências negativas para a economia.
As declarações representam a avaliação política do senador e não uma previsão econômica confirmada. O desempenho da economia depende de diferentes fatores, como decisões fiscais e monetárias, atividade econômica, inflação e cenário internacional.
Rogério Marinho é indicado para disputar a Presidência do Senado
Durante a live, Flávio Bolsonaro também anunciou que pretende apoiar o senador Rogério Marinho para a Presidência do Senado Federal. Segundo ele, o Congresso Nacional, especialmente o Senado, será o principal espaço de articulação da oposição ao governo Lula.
“A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a Presidência do Senado Federal”, afirmou.
O parlamentar defendeu a mobilização de aliados em torno do nome de Marinho, que integra o PL e representa o Rio Grande do Norte no Senado. A eleição para o comando da Casa está prevista para fevereiro de 2027.
A transmissão marcou a primeira manifestação pública de Flávio após sua chegada aos Estados Unidos. Além de apresentar sua versão sobre a saída do Brasil, o senador sinalizou que pretende continuar participando da articulação política da oposição mesmo estando fora do país.



