O Governo de Minas Gerais está reforçando as ações de prevenção e monitoramento diante da previsão de um El Niño de forte intensidade, com potencial para provocar impactos climáticos em diferentes regiões do estado durante a primavera e o verão de 2026/2027. A preparação envolve órgãos estaduais e prefeituras, com medidas voltadas à prevenção de secas, queimadas, tempestades, enchentes e deslizamentos de terra.
O planejamento foi apresentado na terça-feira (20), pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), durante um encontro com representantes da imprensa. Na ocasião, foram detalhadas as previsões meteorológicas para os próximos meses, os possíveis impactos do fenômeno e as medidas adotadas para reduzir os riscos à população.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, o que altera os padrões de circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes partes do planeta.
Segundo as projeções apresentadas pela Defesa Civil estadual, o fenômeno poderá atingir intensidade muito elevada, com mais de 90% de probabilidade de alcançar a categoria classificada como “super forte”. A previsão divulgada indica que seus efeitos podem permanecer significativos até abril de 2027, quando o fenômeno deverá começar a perder força.
O coordenador estadual de Defesa Civil e chefe do Gabinete Militar do Governador, coronel Paulo Rezende, destacou a importância do acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e da atuação integrada dos órgãos públicos para minimizar os impactos sociais, econômicos e na saúde da população.
Governo cria comitê para coordenar ações preventivas
Em setembro, o Governo de Minas instituiu o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, por meio do Decreto nº 49.283/2026. Coordenado pelo Gabinete Militar do Governador, o grupo reúne secretarias estaduais e instituições responsáveis pelas áreas de meio ambiente, agricultura, saúde, educação, assistência social, infraestrutura, segurança pública e energia.
Entre os órgãos participantes estão a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene).
A proposta é agilizar a tomada de decisões e facilitar a cooperação entre o Estado e os municípios. Entre as medidas previstas estão o fornecimento de água potável a comunidades afetadas pela estiagem, o monitoramento de áreas sujeitas a inundações e a preparação de equipes para responder a emergências climáticas.
Mais de 230 municípios receberam capacitação
A preparação também inclui treinamentos para agentes públicos municipais. De acordo com a Cedec, mais de 830 agentes foram capacitados em atividades que alcançaram mais de 230 cidades mineiras.
A Defesa Civil orienta as prefeituras a revisar os planos de contingência para períodos de seca e chuvas intensas, manter equipes de prontidão e organizar brigadas para prevenção e combate a incêndios. Também são recomendadas ações preventivas de limpeza urbana, drenagem e manutenção de estruturas antes do período de maior incidência de chuvas.
Segundo o coronel Paulo Rezende, 823 dos 853 municípios mineiros já possuem coordenadorias municipais de Defesa Civil, resultado que, conforme o órgão, contribui para ampliar a capacidade de prevenção e resposta a desastres.
Defesa Civil monitora condições climáticas e envia alertas
O monitoramento meteorológico é realizado continuamente pelo Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), instalado na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. A estrutura reúne informações de satélites, radares meteorológicos, níveis dos rios e condições de estabilidade das encostas.
A partir desses dados, são elaborados relatórios para orientar prefeituras, concessionárias e equipes de atendimento a emergências, permitindo o planejamento de recursos humanos e materiais para possíveis ocorrências.
A população também pode receber alertas gratuitos de risco de chuvas fortes, granizo, enchentes, alagamentos e deslizamentos diretamente no celular. Para se cadastrar no serviço por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199.
Em situações de emergência, os moradores podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199, o Corpo de Bombeiros pelo 193, a Polícia Militar pelo 190 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo 192.
A orientação é não atravessar ruas alagadas ou enxurradas, deixar áreas com risco de desabamento e evitar contato com água e lama de enchentes, que podem estar contaminadas e transmitir doenças, como a leptospirose.
Regiões mineiras podem enfrentar seca e tempestades intensas
Os possíveis efeitos do El Niño variam conforme a região de Minas Gerais. Entre outubro e dezembro, o estado poderá enfrentar temperaturas elevadas, com possibilidade de médias de calor entre as mais altas dos últimos 30 anos, segundo as projeções apresentadas pelo governo estadual.
O Triângulo Mineiro, o Noroeste, o Norte e a região Central estão entre as áreas que exigem atenção especial devido ao risco de estiagem prolongada, calor extremo e aumento da ocorrência de queimadas.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na Zona da Mata, a preocupação está relacionada à possibilidade de tempestades localizadas e intensas. A presença de áreas montanhosas, encostas ocupadas e regiões urbanizadas aumenta a necessidade de prevenção contra deslizamentos, enxurradas e alagamentos.
Os possíveis impactos também preocupam os setores agrícola, hídrico e energético. Na agropecuária, períodos prolongados sem chuva podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir o peso do gado. Já a diminuição das reservas de água pode pressionar o abastecimento e a geração de energia hidrelétrica, enquanto vendavais podem provocar danos à infraestrutura e à rede elétrica.
Diante do cenário previsto, a Defesa Civil reforça a importância do acompanhamento dos alertas oficiais e da adoção de medidas preventivas por parte dos municípios e da população. A intensidade e a distribuição dos impactos dependerão da evolução do fenômeno e das condições meteorológicas observadas nos próximos meses.


