Uma análise de dez pesquisas eleitorais nacionais realizada pela Opinião Inteligência Política aponta o candidato Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial de 2026. De acordo com o levantamento, Flávio reúne 52,2% dos votos válidos, contra 47,8% de Lula. Os percentuais são os mesmos registrados no início da análise, em 11 de outubro.
Além da média dos levantamentos, a empresa elaborou uma projeção que considera o histórico de eleições anteriores e possíveis mudanças nas intenções de voto até o dia 25 de outubro, data do segundo turno. Nesse cenário, Flávio alcança 52,7% dos votos válidos e tem 86% de probabilidade estimada de vitória, enquanto Lula aparece com 14%.
A Opinião ressalta que as probabilidades são estimativas estatísticas, e não resultados de pesquisas eleitorais. Os cálculos dependem de hipóteses sobre o comportamento dos eleitores e podem mudar ao longo da campanha.
Nove das dez pesquisas apontam vantagem para Flávio
Dos dez levantamentos nacionais considerados na análise, nove colocam Flávio Bolsonaro à frente. Apenas a pesquisa da Vox Brasil, realizada entre os dias 5 e 7 de outubro, indica Lula na liderança.
Entre as quatro pesquisas incorporadas à análise desde 11 de outubro, a Gerp apresenta o maior percentual para Flávio, com 54,6% dos votos válidos. Na sequência aparecem Nexus/BTG, com 52%; Quaest, com 51,1%; e PoderData/Aya, com 51%.
Apesar das diferenças entre os institutos, a média geral permaneceu estável em 52,2%. Na comparação com rodadas anteriores, o PoderData registrou queda de dois pontos percentuais para Flávio, de 53% para 51%. A Gerp apontou crescimento de 1,9 ponto, passando de 52,7% para 54,6%. Já a Quaest apresentou uma pequena redução, de 51,2% para 51,1%.
Segundo a análise, as oscilações indicam relativa estabilidade na disputa desde o início do segundo turno.
Pesquisas presenciais mostram cenário mais apertado
Os resultados também variam conforme a metodologia utilizada pelos institutos. Nas pesquisas presenciais da Vox Brasil, Datafolha e Quaest, Flávio apresenta média de 50,7% dos votos válidos, indicando uma disputa mais equilibrada.
Nos levantamentos realizados por telefone automático, a média do candidato é de 52%. Nas entrevistas telefônicas conduzidas por entrevistadores, chega a 53,1%. Já na pesquisa online da AtlasIntel, Flávio registra 52,8%.
A Opinião observa que, no primeiro turno de 2026, as pesquisas presenciais foram as que mais se distanciaram do resultado das urnas em favor de Lula. Enquanto esses levantamentos apontavam vantagem de 2,7 pontos percentuais para o petista, Flávio terminou a votação com 1,9 ponto de vantagem.
A empresa, entretanto, destaca que esse comportamento não necessariamente se repetirá no segundo turno. As diferenças podem estar relacionadas a mudanças na preferência dos eleitores durante os últimos dias da campanha.
Histórico eleitoral influencia projeção
Para elaborar a estimativa principal, a Opinião também analisou o desempenho de pesquisas do Datafolha e da Quaest em eleições presidenciais anteriores. Segundo o estudo, os dois institutos apresentaram percentuais para candidatos adversários do PT inferiores aos resultados das urnas nas eleições consideradas.
Nos segundos turnos analisados, a diferença variou de 0,1 a 1,1 ponto percentual. No primeiro turno, as discrepâncias foram maiores, oscilando entre 2 e 7,2 pontos.
Com base no histórico do Datafolha nos segundos turnos de 2014, 2018 e 2022, a empresa acrescentou 0,5 ponto percentual à média atual, elevando a estimativa de Flávio de 52,2% para 52,7% dos votos válidos.
A Opinião reconhece, contudo, que o cálculo considera um número limitado de eleições e que não há garantia de que as diferenças observadas no passado se repitam em 2026.
Probabilidade de vitória depende do cenário
O estudo apresenta quatro cenários para o segundo turno. Sem ajustes na média atual das pesquisas, Flávio teria 80% de probabilidade de vitória, contra 20% de Lula.
Na projeção principal, que considera o histórico eleitoral, a probabilidade estimada de vitória de Flávio sobe para 86%. Em um cenário com uma diferença maior entre pesquisas e resultados das urnas, o candidato alcançaria 53,3% dos votos válidos e teria 90% de probabilidade de vitória.
Por outro lado, caso as pesquisas estejam superestimando a votação de Flávio em um ponto percentual, ele ficaria com 51,2% dos votos válidos. Nesse cenário, a probabilidade estimada de vitória cairia para 68%, enquanto Lula teria 32%.
Apesar de Flávio aparecer como favorito em todos os cenários apresentados, a empresa ressalta que uma vitória de Lula continua possível. Na estimativa principal, a faixa de 90% para a votação de Flávio varia de 48,5% a 56,9% dos votos válidos.
O que Lula precisaria para equilibrar a disputa?
De acordo com a análise, para que os dois candidatos alcancem probabilidades iguais de vitória, a média das pesquisas para Flávio precisaria cair de 52,2% para 49,5% dos votos válidos, uma redução de 2,7 pontos percentuais.
Se a média recuasse para 50,8%, a probabilidade estimada de vitória de Flávio cairia de 86% para 70%.
A Opinião observa que, desde o primeiro turno, a média das dez pesquisas variou menos de um ponto percentual. Por isso, avalia que uma mudança significativa no cenário dependeria de uma sequência de levantamentos apontando a mesma tendência, e não apenas de uma pesquisa isolada.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro de 2026.
Metodologia
A análise reúne dez pesquisas nacionais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com entrevistas realizadas entre 3 e 13 de outubro de 2026. A média considera o tamanho das amostras e as datas de realização dos levantamentos, atribuindo maior peso às pesquisas mais recentes e com maior número de entrevistados.
Os percentuais apresentados correspondem aos votos válidos, excluindo votos brancos, nulos e eleitores indecisos. As probabilidades de vitória são cálculos próprios da Opinião Inteligência Política e não representam resultados diretos das pesquisas.


