A dívida pública brasileira continuou crescendo e atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados divulgados pelo Banco Central mostram que o endividamento bruto do governo avançou 0,3 ponto percentual em relação a julho, quando correspondia a 82,5% do PIB.
O indicador é a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que abrange as obrigações do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. A alta do endividamento mantém as contas públicas no centro das discussões econômicas durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além da dívida bruta, outros indicadores ajudam a dimensionar a situação fiscal do país. Em agosto, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) chegou a R$ 9,2 trilhões, equivalente a 69,3% do PIB. Esse indicador considera também os ativos financeiros do setor público, por isso apresenta um valor diferente do endividamento bruto.
Já a Dívida Pública Federal (DPF), administrada pelo Tesouro Nacional, encerrou agosto em aproximadamente R$ 9,29 trilhões, praticamente estável em relação a julho. A diferença entre os números ocorre porque cada indicador considera conjuntos distintos de obrigações e, no caso da dívida líquida, também os ativos públicos.
Juros elevados pressionam o endividamento
Segundo o Banco Central, a incorporação de juros nominais foi um dos principais fatores para o aumento da dívida bruta em agosto, acompanhada dos efeitos da variação cambial. No acumulado de 2026 até aquele mês, a DBGG aumentou 4,2 pontos percentuais do PIB.
Os juros também pesaram sobre as contas públicas. Em agosto, as despesas com juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 105,9 bilhões. No acumulado de 12 meses, chegaram a aproximadamente R$ 1,182 trilhão, equivalente a 8,86% do PIB.
No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões. Em 12 meses, o resultado negativo acumulado foi de R$ 82,1 bilhões, ou 0,62% do PIB. Considerando também os juros, o déficit nominal chegou a R$ 115,9 bilhões em agosto e a R$ 1,264 trilhão no acumulado de 12 meses, equivalente a 9,48% do PIB.
O déficit primário corresponde à diferença entre receitas e despesas públicas antes do pagamento de juros. Já o déficit nominal inclui essas despesas financeiras e, por isso, oferece uma visão mais ampla do resultado das contas públicas.
Arcabouço fiscal e desafios para os próximos anos
A política fiscal também é alvo de debates sobre o crescimento das despesas obrigatórias, a arrecadação e o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo. Em 2023, o arcabouço fiscal substituiu o antigo teto de gastos e passou a estabelecer regras para o crescimento das despesas e metas de resultado primário.
O funcionamento dessas regras, as exceções permitidas e a necessidade de medidas de contenção de gastos estão entre os pontos acompanhados por analistas e instituições fiscais. A evolução da dívida depende não apenas das despesas do governo, mas também do custo dos juros, do desempenho da economia e do resultado das contas públicas.
A trajetória do endividamento será um dos principais desafios econômicos dos próximos anos. O governo precisará conciliar o financiamento de políticas públicas e investimentos com medidas capazes de estabilizar a relação entre a dívida e o PIB, indicador importante para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.


