O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não foi identificada nenhuma ocorrência durante o primeiro turno das eleições que pudesse ser caracterizada como interferência estrangeira no processo eleitoral.
Durante coletiva de imprensa para apresentar um balanço da votação, Nunes Marques destacou que observadores internacionais acompanharam o pleito e confirmaram a transparência e a normalidade das eleições.
“Não tivemos nenhuma intercorrência grave, os riscos climáticos [foram] afastados, e não tivemos nenhum alerta dos diversos setores do TSE acerca de interferência estrangeira. Não constatamos nenhum tipo de intervenção”, afirmou.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, confirmou a abertura de uma investigação para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Na semana passada, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar uma suposta atuação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de interferir no processo eleitoral brasileiro e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF).
A iniciativa ocorreu após o jornal britânico The Guardian publicar uma reportagem afirmando que o governo norte-americano teria destinado US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,1 milhões, para uma campanha contra o STF.
TSE quer reduzir abstenção no segundo turno
Nunes Marques também afirmou que pretende intensificar as ações da Justiça Eleitoral para reduzir a abstenção no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Segundo os dados do sistema de totalização do TSE, o primeiro turno registrou abstenção de 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores.
“Não é o ideal uma abstenção de 20%. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para que a gente consiga diminuir esse percentual no segundo turno”, declarou o presidente do TSE.
Ao todo, 125 milhões de eleitores compareceram às urnas. O eleitorado apto a votar era de 158,7 milhões de pessoas. O primeiro turno também contabilizou cerca de 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos.
Maior abstenção desde 1998
O percentual de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno de 2026 é considerado o maior desde 1998. Naquele ano, a Justiça Eleitoral registrou abstenção de 21,5%.
Nas eleições presidenciais de 2022, a primeira etapa do pleito teve 20,95% de abstenção.
No segundo turno deste ano, os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).


