A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 33 milhões, em 2024, do Banco Master ao escritório de advocacia Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa. Os valores aparecem em documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação envolvendo o Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Segundo os documentos encontrados pela PF, Dalide Corrêa é mencionada em diálogos entre diretores do Banco Master como um “canal direto com o STF”. Até o momento, porém, as informações divulgadas não apontam que a PF tenha identificado, nessas conversas, menções a ministros específicos do Supremo relacionadas aos pagamentos.
A auditoria também apontou que as despesas do Banco Master com escritórios de advocacia aumentaram de R$ 76 milhões em 2023 para R$ 215 milhões em 2024. No relatório, os auditores destacaram, além dos R$ 33 milhões pagos ao escritório de Dalide, aproximadamente R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Dalide Corrêa já ocupou o cargo de diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes. Ela deixou a função em 2017.
Em nota, Dalide Corrêa negou ter prestado serviços ao Banco Master e afirmou que seu escritório não atuou para a instituição no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados ao banco. Segundo a manifestação divulgada, sua atuação esteve restrita a processos originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Master e que posteriormente foram sucedidas pelo banco, em processos de primeira e segunda instâncias.
As informações sobre os pagamentos fazem parte das investigações e documentos analisados pela Polícia Federal. Os dados, por si só, não estabelecem que os valores tenham sido pagos por influência ou atuação junto a ministros do STF. A própria cobertura do caso registra que ainda não foram identificados, publicamente, elementos que esclareçam quais serviços jurídicos concretos corresponderam aos R$ 33 milhões.



