Editorial aponta concentração de poderes como uma das causas da crise na Corte e defende medidas para tentar recuperar a credibilidade do Supremo
A crise institucional vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi analisada em um editorial publicado nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, pelo jornal Folha de S.Paulo. O texto atribui parte do atual cenário à concentração de poderes nas mãos de ministros e defende o afastamento de Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, como medidas para tentar reduzir a tensão na Corte.
Publicado na seção editorial O que a Folha pensa, o texto afirma que sucessivas decisões individuais de ministros, muitas vezes com efeitos relevantes sobre outros processos, contribuíram para o que o jornal classificou como uma crise de credibilidade do Supremo.
O editorial cita a disputa institucional envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e Edson Fachin, além de mencionar as recentes decisões relacionadas à direção da Polícia Federal. A publicação também relaciona a crise às informações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero.
Segundo o jornal, documentos e mensagens atribuídas a Vorcaro, divulgados no contexto das decisões de André Mendonça, intensificaram o embate entre integrantes do STF. O editorial menciona ainda informações relacionadas a supostas relações entre Vorcaro e pessoas ligadas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As alegações citadas na publicação são objeto de controvérsia e não devem ser tratadas como fatos comprovados.
A publicação também critica a decisão monocrática de Flávio Dino, que havia determinado a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, após o afastamento determinado por Mendonça. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões anteriores e determinou novas providências no caso.
Para a Folha, o cenário evidencia a necessidade de uma atuação do plenário do Supremo para evitar o agravamento da crise. O editorial defende que os afastamentos de Moraes e Gonet poderiam ser medidas iniciais para a reconstrução da confiança na instituição.
A avaliação publicada pelo jornal ocorre às vésperas de uma sessão extraordinária do STF marcada para terça-feira, 15 de setembro, às 10h. O plenário deverá analisar a validade dos relatórios da Polícia Federal apresentados no caso e decidir sobre a abertura ou não de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
O caso ocorre em meio a uma sequência de decisões e disputas entre ministros do Supremo, que passaram a envolver também a direção da Polícia Federal e diferentes investigações em andamento. A sessão do plenário deverá ser acompanhada de perto diante dos possíveis impactos institucionais das decisões.



