Defesa afirmou que julgamento reconheceu circunstâncias excepcionais e humanas envolvendo o caso, que teve início após denúncia de suposto abuso sexual contra a filha da acusada
ITABIRA (MG) – Uma mulher acusada de homicídio qualificado foi absolvida pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itabira após um processo que tramitou por cerca de seis anos. A decisão do Conselho de Sentença foi tomada por quatro votos a três, conforme manifestação divulgada pela defesa da acusada.
De acordo com a defesa, o caso teve início em julho de 2019, quando a filha da mulher, que tinha 10 anos na época, relatou à mãe que teria sido vítima de abusos sexuais praticados por um homem que fazia parte do convívio da família.
Ainda segundo a versão apresentada pelos advogados, a acusada estava sozinha com os dois filhos e teria entrado em estado de extremo desespero e abalo emocional após tomar conhecimento do relato da criança.
Conforme a defesa, o homem ainda se encontrava dentro de um veículo nas proximidades da residência da família quando a mulher teria pegado um punhal e escondido o objeto em uma coberta. Em seguida, ela teria se dirigido até o automóvel.
Durante o encontro, os dois entraram em luta corporal. Ainda segundo os relatos apresentados no processo e mencionados pela defesa, a mulher desferiu 18 golpes de punhal contra o homem, que morreu no local.
Teses apresentadas pela defesa
Durante a sessão plenária do Tribunal do Júri, a banca defensiva apresentou três principais teses aos jurados: legítima defesa, inexigibilidade de conduta diversa e clemência dos jurados.
A defesa sustentou que o caso deveria ser analisado levando em consideração as circunstâncias pessoais, emocionais e humanas que envolveram os fatos.
Ao final do julgamento, por quatro votos a três, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pela defesa e absolveu a acusada de todas as imputações relacionadas ao caso.
Em nota, o advogado Túlio Moreira, afirmou receber o resultado com satisfação e sentimento de dever cumprido, destacando que acompanharam o processo desde o início e atuaram durante todas as etapas da tramitação judicial.
Para a defesa, o resultado reforça a importância de uma atuação técnica e atenta às particularidades de cada caso, permitindo que os fatos sejam analisados em sua integralidade pelo Poder Judiciário.
O julgamento encerra uma etapa de um caso que se arrastou por aproximadamente seis anos na Justiça e que teve grande repercussão em Itabira.



