A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 16 anos de carreira na corporação, foi encontrada morta na noite de segunda-feira (20), após ser levada pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
O militar foi preso em flagrante sob suspeita de envolvimento na morte. Segundo o boletim de ocorrência, Michele chegou à unidade de saúde por volta das 21h35 já sem sinais vitais. A equipe médica constatou um quadro de assistolia, indicando uma parada cardiorrespiratória ocorrida horas antes.
Durante a avaliação, os profissionais identificaram diversas lesões pelo corpo da capitã, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com golpes e um corte profundo na região frontal da cabeça. Diante dos sinais de violência, a Polícia Militar foi acionada.
A perícia médica apontou que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.
Investigação e versão do marido
Em depoimento, o sargento Eduardo afirmou que o casal havia realizado uma confraternização na residência na noite anterior, com consumo de bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo a versão apresentada por ele, após a saída dos convidados, os dois teriam mantido relações consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.
O militar relatou ainda que Michele teria caído da escada da residência durante a tarde de segunda-feira, sofrendo ferimentos. Ele afirmou que prestou os primeiros socorros, mas que a esposa teria recusado atendimento médico.
Enquanto aguardava atendimento no hospital, Eduardo foi visto descartando uma caixa metálica em uma lixeira. Dentro do recipiente, policiais encontraram comprimidos com características semelhantes ao ecstasy. O material foi apreendido e encaminhado para perícia.
Família relata possível relacionamento abusivo
Familiares da capitã relataram à Polícia Civil que o relacionamento do casal era marcado por conflitos, separações e reconciliações. A mãe de Michele afirmou que considerava a relação abusiva e que a filha tentava encerrar o casamento.
Segundo o depoimento, a família também relatou episódios de controle psicológico e uma discussão anterior em que o sargento teria empunhado uma faca.
Trajetória na Polícia Militar
Michele Leão Azevedo ingressou na PMMG em 2008 e concluiu o Bacharelado em Ciências Militares em 2010, passando a atuar como oficial da corporação. Ao longo da carreira, teve formação voltada à segurança pública, ensino e direitos humanos.
Em 2023, concluiu uma pós-graduação em Docência no Ensino Superior e também participou de curso de formação complementar como multiplicadora de Direitos Humanos promovido pela própria Polícia Militar.
Perícia continua
A Polícia Civil apreendeu um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, além de roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar. O veículo usado para levar Michele ao hospital também foi periciado.
O celular do sargento e os materiais recolhidos serão analisados. O corpo da capitã foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passará por exame de necropsia para apontar a causa da morte.
A defesa de Eduardo Abner Pereira de Oliveira informou que acompanha as investigações e pediu que sejam aguardados os laudos periciais antes de qualquer conclusão, afirmando confiar no devido processo legal e no direito de defesa.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.



