Moradores dos bairros Bela Vista, Nova Vista, Jardim das Oliveiras e Praia participaram, na última quinta-feira (18), de uma reunião promovida pela Vale S.A. para apresentação da nova etapa da descaracterização dos diques Minervino e Cordão Nova Vista, estruturas que integram o Sistema Pontal. O encontro contou com acompanhamento da Assessoria Técnica Independente da Fundação Israel Pinheiro (ATI/FIP).
Durante a reunião, a mineradora apresentou o cronograma atualizado das intervenções e informou que as obras de descaracterização, inicialmente previstas para serem concluídas até 2030, agora têm nova previsão de término em 2033. Segundo a empresa, os trabalhos envolvem a abertura de canais de drenagem, direcionamento de água acumulada nos rejeitos para a Barragem do Pontal e a remoção gradual de materiais.
A reunião, no entanto, foi marcada por questionamentos de moradores e representantes da Comissão de Atingidos do Sistema Pontal, que relataram preocupações com impactos ambientais, estruturais e sociais decorrentes das obras. Entre os principais pontos levantados estão possíveis alterações no lençol freático, problemas de drenagem, surgimento de infiltrações em residências e escoamento de água no subsolo da região.
Moradores também expressaram preocupação com os efeitos das intervenções na saúde física e mental da população, especialmente em relação ao aumento de poeira, ruídos e vibrações, além da insegurança quanto à permanência prolongada das obras. Representantes comunitários cobraram ainda informações sobre monitoramento dos impactos na saúde e maior transparência nos dados apresentados pela empresa.
Outro ponto de debate foi a destinação dos rejeitos retirados durante o processo de descaracterização. Inicialmente, a Vale informou que o material seria distribuído em áreas da própria barragem, mas posteriormente mencionou a possibilidade de remineração, ainda sem licença ambiental aprovada. A mudança gerou questionamentos sobre logística, impactos adicionais e falta de informações detalhadas.
Problemas relacionados a esgotamento sanitário, mau cheiro, presença de animais peçonhentos e dificuldades no cotidiano das residências também foram relatados pelos moradores, que cobraram soluções e maior atenção às condições de vida nas áreas atingidas.
Em resposta, representantes da Vale afirmaram que os estudos técnicos e processos de licenciamento seguem em andamento e que as informações serão divulgadas conforme novas definições forem concluídas. A empresa também destacou a realização de monitoramentos ambientais periódicos, conduzidos com apoio de auditoria independente.
Ao final do encontro, representantes da Comissão de Atingidos entregaram à mineradora um conjunto de questionamentos formais sobre os impactos e o andamento das obras. A Vale informou que as demandas serão respondidas por meio dos canais oficiais de comunicação.


