O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quarta-feira (3) em forte queda, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e as preocupações com a possibilidade de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), recuou 2,22% e fechou aos 170.330 pontos, registrando a maior perda diária desde o início de maio. Já o dólar comercial avançou 1,14%, encerrando o pregão cotado a R$ 5,067.
A piora no humor dos investidores acompanhou o cenário internacional, marcado pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O aumento da incerteza levou investidores a reduzir posições em mercados emergentes e buscar ativos considerados mais seguros. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a atingir a mínima de 170.007 pontos, mas conseguiu encerrar o dia acima da marca dos 170 mil pontos. Com o resultado, o índice passou a acumular queda de 1,99% na semana, embora ainda registre valorização de 5,71% em 2026.
Além das questões geopolíticas, o mercado também repercutiu o avanço das discussões sobre novas barreiras comerciais dos Estados Unidos. Após recomendar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) apresentou novas propostas relacionadas a práticas comerciais e trabalhistas.
No mercado de câmbio, o dólar foi impulsionado pela busca global por proteção financeira. A moeda norte-americana chegou a ser negociada acima de R$ 5,09 durante a tarde e encerrou o dia no maior patamar desde abril. Apesar da alta, o dólar ainda acumula queda de 7,69% frente ao real neste ano.
Outro reflexo das incertezas internacionais foi a valorização do petróleo. O barril do Brent, referência para o mercado internacional, subiu 1,89% e fechou cotado a US$ 97,81. Já o WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 2,4%, encerrando o dia a US$ 96,02.
A alta dos combustíveis ocorre em meio às preocupações com possíveis impactos sobre o fornecimento global de petróleo, especialmente devido às tensões envolvendo a região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Analistas avaliam que os próximos dias deverão continuar sendo marcados por cautela nos mercados, com investidores atentos ao cenário geopolítico e às decisões comerciais do governo norte-americano.


