A Correios registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor mais de três vezes superior ao resultado negativo de 2024, quando as perdas somaram R$ 2,6 bilhões. O balanço será publicado no Diário Oficial da União.
Segundo a estatal, o resultado foi impactado principalmente pelo aumento no provisionamento de obrigações judiciais e pelos custos operacionais. Apenas os processos judiciais representaram R$ 6,4 bilhões no período, com destaque para ações trabalhistas relacionadas a adicionais de periculosidade e atividades externas.
A receita bruta da empresa no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, uma queda de 11,35% em relação ao ano anterior. Diante do cenário, os Correios recorreram a empréstimos junto a bancos públicos e privados, totalizando R$ 12 bilhões.
Cenário de dificuldades e “ciclo vicioso”
A empresa acumula 14 trimestres consecutivos de resultados negativos desde o fim de 2022. De acordo com o presidente Emmanoel Schmidt Rondon, a queda de receita tem gerado dificuldades no fluxo de caixa, impactando pagamentos a fornecedores e a capacidade operacional da estatal.
Ele destacou que a estrutura de custos é rígida, baseada em despesas fixas, o que dificulta ajustes imediatos diante da redução de receitas.
Mudanças no mercado e perda de espaço
O desempenho também reflete transformações no setor, como o avanço do comércio eletrônico com estruturas logísticas próprias e a redução do uso de correspondências físicas — fenômeno chamado pela empresa de “desmaterialização” das cartas.
Medidas de contenção e reestruturação
Para tentar reverter o cenário, os Correios adotaram medidas como planos de demissão voluntária (PDV), renegociação de dívidas com fornecedores, redução de custos operacionais e diminuição de despesas com imóveis e manutenção de agências.
Em 2026, 3.181 funcionários aderiram ao PDV, número inferior ao ciclo anterior (3.756 adesões), mas dentro de um período mais curto de inscrição.
A expectativa da direção é que a estatal volte a apresentar resultados positivos a partir de 2027, com a continuidade do plano de recuperação.
Privatização não está em discussão interna
O presidente da empresa afirmou que a possibilidade de privatização não está na pauta da gestão atual, destacando que essa é uma decisão que cabe ao governo federal. Segundo ele, o foco é garantir a sustentabilidade da empresa e a continuidade dos serviços prestados à população.



