A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada durante a 32ª reunião do colegiado, que também votou 86 outros requerimentos, incluindo quebras de sigilo de empresas e convocações de ex-executivos ligados ao esquema investigado.
O pedido de investigação sobre Lulinha foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União/AL), que justificou a medida como “imperativo técnico” para a CPMI. O empresário é citado na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou, em 18 de dezembro de 2025, nova fase da Operação Sem Desconto. A operação investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados, que teria lesado milhões de aposentados e pensionistas.
Mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, principal operador do esquema, mencionam repasses de ao menos R$ 300 mil a “o filho do rapaz”, supostamente uma referência a Lulinha.
Em nota, a defesa de Fábio Luís afirmou que o empresário não tem qualquer relação com as fraudes, não participou de desvios nem recebeu valores de fontes criminosas. O advogado Guilherme Suguimori Santos destacou que Silva se colocou à disposição do STF para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso aos autos do processo.
Outros requerimentos e convocações
Além de Lulinha, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master e novas convocações, incluindo do ex-executivo Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, do ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira (André Moura), da empresária Danielle Miranda Fontelles e do ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Marques Gaspar.
Segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG), André Moura é apontado como um dos possíveis articuladores do esquema de fraude no INSS, especialmente em Sergipe. Danielle Fontelles seria responsável por facilitar a circulação internacional de capitais e lavagem de dinheiro. Gustavo Marques Gaspar foi alvo de operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União por supostas relações com integrantes do esquema de descontos associativos fraudulentos.
Os 87 requerimentos foram votados em bloco, sem discussão individual, e a reunião chegou a ser interrompida após tumulto com empurra-empurra e troca de socos entre parlamentares.
Depoimentos e conduções coercitivas
A CPMI também programou depoimentos de empresários e envolvidos no esquema, como Paulo Camisotti, filho e sócio de Maurício Camisotti, que está preso por envolvimento nas fraudes. Estavam previstos depoimentos do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB/MA) e do advogado Cecílio Galvão, mas ambos não compareceram. Araújo alegou problemas de saúde e restrições impostas pelo STF; Galvão alegou compromissos profissionais, o que levou o presidente da CPMI, deputado Carlos Viana (Podemos-MG), a determinar a condução coercitiva do advogado.
A CPMI do INSS segue na apuração das fraudes, com foco na responsabilização de envolvidos e no esclarecimento de supostos repasses irregulares relacionados ao esquema que lesou aposentados e pensionistas em todo o país.



