Durante reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Itabira (Codema), realizada nesta quinta-feira (12/02), o conselheiro André Viana, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, classificou como histórica a análise do pedido de anuência da Vale para o reaproveitamento de rejeitos minerais acumulados em barragens e diques no município.
“É uma das decisões mais importantes para Itabira nos últimos anos”, afirmou o dirigente sindical, ao defender o projeto como estratégico para o futuro econômico e ambiental da cidade.
Volume expressivo e nova tecnologia
Segundo dados apresentados pela empresa, o plano prevê a retirada de cerca de 5,1 milhões de toneladas de rejeitos por ano, com teor médio de ferro de até 37%, o que viabiliza o reaproveitamento no processo produtivo. O projeto envolve estruturas como a barragem de Conceição, a barragem do Rio de Peixe, os diques Minervino e Cordão Nova Vista, além das cavas de Onça e Periquito.
O transporte do material das barragens de Conceição e Rio de Peixe até as usinas será feito por dragas e tubulações. Já no caso do dique Minervino, no Pontal, o deslocamento até a usina Cauê ocorrerá por caminhões, em trajetos majoritariamente internos às áreas da empresa, com pequeno trecho até a rotatória de acesso à planta, sem circulação por ruas de bairros vizinhos.
O material que não for reaproveitado terá disposição final em pilhas a seco. De acordo com Viana, o novo ciclo tecnológico não exigirá ampliação das usinas, mas sim readequações para o novo processo produtivo, representando avanço ambiental e operacional.

Mineração circular e segurança
André Viana destacou que a proposta se enquadra no conceito de mineração circular, modelo que transforma rejeitos em produto e receita, ao mesmo tempo em que elimina estruturas consideradas de risco, como barragens.
“Estamos diante da destinação de um rejeito rico, que pode assegurar manutenção e até geração de novos empregos, além de produto e receita para o município. É também uma oportunidade de eliminar estruturas que hoje representam medo para a população, como vimos nas tragédias de Mariana e Brumadinho”, afirmou.
Hibernação da usina do Cauê
O conselheiro relacionou o projeto ao anúncio de “hibernação temporária” da usina do Cauê, com concentração da produção nas usinas de Conceição. Segundo ele, a paralisação prevista a partir de julho permitirá a readequação da planta para o reprocessamento do rejeito filtrado — técnica que elimina a necessidade de disposição em barragens.
Para Viana, trata-se de uma mudança estrutural no complexo minerador de Itabira. “Aquilo que antes era visto como problema e risco agora pode ser transformado em produto e receita, dentro de um modelo mais seguro e sustentável”, pontuou.
Empregos, tributos e debate aberto
O presidente do Metabase defendeu o reaproveitamento dos rejeitos como pauta urgente para o município, ressaltando a possibilidade de manutenção e ampliação de empregos, incremento na arrecadação de impostos e aumento da segurança.
Ele afirmou que o sindicato é favorável ao projeto, desde que ajustes sejam feitos e todas as dúvidas da comunidade sejam respondidas. André Viana também apoiou a condução dos trabalhos pela presidente do Codema, Elaine Mendes, defendendo que o debate continue no âmbito do conselho, com transparência e contraposição de ideias.
“Cobrei dos representantes da Vale que respondam a todos os questionamentos, especialmente os levantados por moradores dos bairros Bela Vista e Nova Vista. A aprovação precisa ocorrer com todas as dúvidas esclarecidas”, declarou após a reunião.
Para o conselheiro, a decisão deve ser construída com diálogo e responsabilidade. “É essencial que haja discordâncias e ajustes. Só assim teremos uma decisão madura e transparente, à altura da importância que esse projeto tem para Itabira”, concluiu.


