A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a suspeita de que três ex-técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta, em Taguatinga, mataram ao menos três pacientes, aplicando substâncias letais. Dois suspeitos, um homem de 24 anos e uma mulher de 28, foram detidos no dia 11 de janeiro durante a Operação Anúbis, enquanto a terceira investigada, uma mulher de 22 anos, foi presa no dia 15, com dispositivos eletrônicos e outros elementos probatórios apreendidos pela polícia.
Os óbitos ocorreram em 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, mas só vieram a público em 19 de janeiro. As vítimas, segundo a Polícia Civil, são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. O caso tramita em segredo de Justiça, e os nomes das vítimas e investigados não foram divulgados.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, as provas indicam que os técnicos aplicaram medicamentos indevidos, comuns em UTIs, mas que, quando injetados diretamente na veia, provocam parada cardíaca. Em uma das vítimas, o suspeito chegou a injetar desinfetante por mais de dez vezes. “Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”, afirmou o delegado.

As investigações incluíram análise de imagens das câmeras da UTI, prontuários dos pacientes e depoimentos de funcionários. Foi constatado que o técnico aproveitou que sistemas hospitalares estavam logados em nome de médicos para retirar e aplicar o medicamento, com auxílio das duas técnicas de enfermagem, que também estavam presentes durante a aplicação.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três ex-funcionários após identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes e acionou a Polícia Civil imediatamente. O hospital declarou que colabora integralmente com as autoridades e mantém contato com os familiares das vítimas.
O técnico de enfermagem de 24 anos, que também é estudante de fisioterapia, havia continuado a trabalhar em outra UTI após ser demitido. As duas técnicas de 28 e 22 anos têm experiências variadas, sendo que uma estava em seu primeiro emprego na área.
O delegado Salomão ressaltou que a investigação continua e que os suspeitos estão presos temporariamente por 30 dias. A Polícia Civil pretende analisar celulares, computadores e histórico de trabalho dos investigados para identificar outras possíveis vítimas ou colaboradores.


