O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão. Nesta sexta-feira (30), o dólar comercial subiu 1,09% e fechou cotado a R$ 5,446, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos.
Na semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 9,15%, a maior alta semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. Já o Ibovespa registrou queda de 18,12%, seu pior desempenho semanal desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
No cenário nacional, o comportamento dos ativos foi influenciado pelos ajustes dos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelas incertezas em relação à política fiscal e à composição da equipe econômica do próximo governo. No exterior, a desvalorização de ações de empresas de tecnologia e as preocupações com investimentos em inteligência artificial também contribuíram para a cautela nos mercados.
Dólar registra maior fechamento do ano
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 1,09%, a R$ 5,446, alcançando o maior valor de fechamento de 2026. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,463, por volta das 16h.
Na comparação semanal, a alta foi de 9,15%. Em outubro, o dólar acumulou valorização de 5,27% e passou a registrar avanço de 0,81% no ano.
Parte da volatilidade durante a primeira metade do pregão esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.
A pressão sobre o real também refletiu a reavaliação das posições dos investidores após o resultado eleitoral. A expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo e pela apresentação de medidas para as contas públicas manteve o mercado atento aos rumos da política fiscal brasileira.
A procura por proteção cambial antes do feriado prolongado de Finados, na segunda-feira (2), também contribuiu para a movimentação. No mercado internacional, o dólar avançou diante de moedas de países emergentes em meio às turbulências envolvendo empresas de tecnologia.
Ibovespa acumula perdas expressivas
O Ibovespa fechou a sexta-feira com queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, registrando o quinto pregão consecutivo de baixa.
Na semana, o índice acumulou desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando havia recuado 18,88% em meio aos impactos iniciais da pandemia de Covid-19.
O resultado de outubro também foi negativo: o indicador caiu 9,88%, registrando seu pior desempenho mensal desde junho de 2022, quando a perda havia sido de 11,5%.
A pressão sobre as ações brasileiras ganhou força após a reeleição de Lula. No primeiro pregão depois da divulgação do resultado eleitoral, na segunda-feira (26), a queda do índice levou a B3 a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas expressivas.
A saída de recursos estrangeiros também contribuiu para a pressão sobre os ativos. Dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
Mercado internacional também registra perdas
Além das incertezas domésticas, os investidores acompanharam um cenário internacional desfavorável, marcado pela cautela em relação às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às perspectivas para a inflação e os juros globais.
Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sessão com queda de 1,82%, refletindo preocupações relacionadas aos resultados de grandes empresas de tecnologia e aos investimentos em inteligência artificial.
No mercado de câmbio, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31.
A combinação de fatores internos e externos marcou o fechamento de outubro, com perdas expressivas na Bolsa brasileira e valorização do dólar. Os investidores seguem atentos às sinalizações sobre a política econômica do próximo governo e ao comportamento dos mercados internacionais.



