O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo apoio recebido após sua saída do Brasil. O parlamentar chegou a Miami acompanhado da mulher e das duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador.
No documento, Flávio contesta o resultado das eleições e afirma, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral brasileiro. Em uma primeira versão da carta, o senador se declarou o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, o texto foi alterado, substituindo a expressão por “líder do Brasil”.
O parlamentar também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu o horário de votação até as 19h. A medida atendeu a um pedido das campanhas do PL e do PT.
Segundo os dados oficiais citados pela Agência Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno, realizado no domingo (25), com cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu pouco mais de 59 milhões. A extensão do horário de votação acrescentou 34.393 votos, diante de aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar.
As alegações de Flávio sobre a legitimidade do pleito contrariam a apuração oficial e o reconhecimento do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória de Lula também foi reconhecida pela Organização dos Estados Americanos (OEA), por líderes estrangeiros e pelo próprio PL, partido do senador.
Investigação e restrições judiciais
Na carta, Flávio também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático e o proibiu de deixar o país. A medida foi tomada a pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga em meio a investigações envolvendo o senador.
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro.
No comunicado divulgado por sua assessoria, o senador afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.
A primeira versão da carta também continha um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, grafia antiga do nome do país, com a letra “z”. A denominação foi substituída pelo nome atual em 1967.
Trajeto até os Estados Unidos
Flávio Bolsonaro chegou a Miami na manhã desta quarta-feira (28), após um dia de incertezas sobre seu paradeiro. Segundo as informações divulgadas, ele e a família cruzaram a fronteira entre Brasil e Argentina às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu.
Às 23h30, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiu para os Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro também está nos Estados Unidos
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Poucos dias antes do segundo turno, ele afirmou em entrevista que o irmão deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
Eduardo foi condenado pelo STF por sua atuação relacionada à articulação de medidas tarifárias impostas pelo governo norte-americano ao Brasil em julho de 2025. Segundo as acusações, a iniciativa buscava interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado posteriormente a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Democratas criticam concessão de visto
Nesta quarta-feira (28), o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto a Flávio Bolsonaro.
Em publicação nas redes sociais, o comitê comparou o tratamento concedido ao senador brasileiro e à família Bolsonaro com a política migratória norte-americana aplicada a pessoas que fogem de conflitos em outros países.
A publicação questionou a diferença de tratamento em relação a pessoas que buscam proteção diante de guerras no Sudão e de conflitos no Haiti, enquanto, segundo o comitê, o secretário de Estado Marco Rubio estaria oferecendo tratamento privilegiado a Bolsonaro.






