O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a divulgação de informações bancárias e telefônicas no contexto da disputa presidencial de 2026. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo coordenador da campanha petista, Camilo Santana.
A manifestação ocorreu após Flávio informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autorizaria o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, desde que Lula também aceitasse ampliar o alcance da divulgação para incluir outras pessoas e informações.
Entre as condições apresentadas pelo candidato do PL estão a divulgação dos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, dos registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e dos sigilos de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente.
Segundo Camilo Santana, Lula não se opõe às exigências apresentadas pelo adversário, desde que Flávio também cumpra integralmente o compromisso de divulgar as informações solicitadas.
O coordenador da campanha petista afirmou que comparecerá ao TSE nesta quinta-feira (22), às 11h, para protocolar a resposta de Lula. Ele também estabeleceu o mesmo prazo para que Flávio apresente a autorização para a divulgação dos próprios dados e dos registros de seus familiares.
“Não pode deixar para depois da eleição. O prazo é amanhã”, declarou Camilo Santana, em referência ao segundo turno, marcado para domingo (25).
Propostas foram apresentadas após debate
O impasse começou durante o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado no domingo (18). Na ocasião, o presidente propôs que ambos autorizassem a divulgação de seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo informações de familiares, com o objetivo de confrontar questionamentos sobre a conduta dos candidatos.
Na terça-feira (20), Lula apresentou um requerimento ao TSE autorizando a divulgação de seus dados, condicionada à adoção da mesma medida por Flávio.
No dia seguinte, o senador informou à Justiça Eleitoral que aceitava a proposta, mas estabeleceu exigências adicionais para ampliar o alcance das informações divulgadas.
Flávio classificou o pedido inicial de Lula como uma “verdadeira aberração jurídica” e argumentou que o presidente poderia divulgar seus próprios extratos sem recorrer ao tribunal.
As petições apresentadas pelos dois candidatos foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE. O desdobramento do processo ocorre a poucos dias da votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.


