O banqueiro Daniel Vorcaro teria oferecido R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para tentar adiar e suavizar uma reportagem sobre ele e o Banco Master, que seria publicada pela Folha de S.Paulo em agosto de 2024. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles, com base em trocas de mensagens obtidas pela reportagem.
Segundo as mensagens, Vorcaro estava preocupado com a publicação de notícias negativas em um momento considerado decisivo para o banco. Em 8 de agosto de 2024, o Banco Central homologou uma operação que permitiu ao Banco de Brasília (BRB) comprar mais de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Master. Nas conversas, o banqueiro teria demonstrado receio de que reportagens desfavoráveis pudessem prejudicar a instituição financeira.
De acordo com a comunicação atribuída a Guilherme Barros, Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha de S.Paulo, concordou em adiar a publicação. O texto foi divulgado em 30 de agosto de 2024, com o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção para aquisição em séries e festa com Alok”.
As mensagens também indicam que, um dia após as tratativas sobre a reportagem, Dávila pediu, por intermédio de Barros, um encontro com Vorcaro. A reunião ocorreu em 12 de agosto, na sede do jornal, com a participação de dois editores. Segundo o Metrópoles, o encontro não foi registrado na coluna Painel, como seria habitual.
Ainda conforme as mensagens, trechos fornecidos pelo gestor de crise foram incluídos na reportagem publicada, com referências positivas ao Banco Master e aos seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs), descritos como “os mais rentáveis do mercado”. Após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, esses trechos foram retirados da versão digital do texto.
Posteriormente, Barros teria cobrado o pagamento prometido, mencionando um “success fee”, expressão utilizada para designar uma remuneração vinculada ao resultado de um trabalho. Vorcaro respondeu que o gestor merecia receber e afirmou que ajustariam o assunto. Segundo a reportagem, houve uma transferência via Pix.
Procurada pelo Metrópoles, a Folha de S.Paulo contestou a interpretação apresentada. O jornal afirmou que a reportagem não foi retida, pois ainda não estava pronta, e que o prazo solicitado tinha como objetivo permitir que Vorcaro fosse ouvido. Também declarou que o pedido de encontro partiu de Guilherme Barros e que a reunião ocorreu para que o banqueiro apresentasse sua versão dos fatos.
A Folha negou que as demandas de Vorcaro tenham influenciado ou amenizado o conteúdo publicado. Segundo o jornal, a reportagem saiu em sua versão original, e as alterações posteriores na versão digital foram feitas para incluir informações sobre a prisão do banqueiro. A publicação também afirmou que Sérgio Dávila só tomou conhecimento da oferta de R$ 1 milhão ao ler as mensagens divulgadas.
O caso levanta questionamentos sobre as tratativas entre o banqueiro, seu gestor de crise e integrantes da direção do jornal. As mensagens e as versões apresentadas pelos envolvidos são centrais para esclarecer as circunstâncias do adiamento, do encontro e do pagamento mencionado.









