O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Visconde do Rio Branco e da 1ª Promotoria de Justiça de Muriaé, obteve a condenação de seis pessoas em uma ação penal decorrente da Operação Mecanismo.
A decisão, proferida em 9 de setembro de 2026, reconheceu a participação dos condenados em uma estrutura apontada pelas investigações como ligada à facção criminosa Comando Vermelho e destinada à coordenação de atividades ilícitas dentro e fora do sistema prisional.
Dois dos condenados, apontados na sentença como lideranças da organização, receberam penas de 11 anos, um mês e oito dias de reclusão, além de multa, em regime inicial fechado. Eles foram condenados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e ingresso de aparelhos celulares em estabelecimento prisional.
Segundo a sentença, os líderes teriam cooptado o então diretor de Segurança da Penitenciária de Muriaé para facilitar a entrada de materiais ilícitos na unidade e obter informações antecipadas sobre operações de revista nas celas. Conforme a decisão, o esquema permitia a reposição de celulares apreendidos e a manutenção da comunicação entre integrantes do grupo.
Três mulheres também foram condenadas por integrar a organização. De acordo com a decisão judicial, elas desempenhavam funções relacionadas à gerência financeira, à logística e à administração de recursos utilizados nas atividades criminosas.
A Justiça manteve as prisões preventivas dos dois líderes e de outro integrante apontado como responsável pela chamada função de “disciplina” dentro da organização, negando a eles o direito de recorrer em liberdade. A sentença foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso.
As condenações são resultado das investigações da Operação Mecanismo. A quarta fase da operação foi deflagrada em 26 de setembro de 2024, com o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
A primeira fase da operação ocorreu em abril de 2022 e investigou suspeitas de crimes como corrupção passiva e ativa, concussão, prevaricação, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Segundo o MPMG, as investigações apontaram indícios de um esquema envolvendo policiais penais, agentes públicos, presos e outras pessoas, com o objetivo de permitir a entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos em unidades prisionais da Zona da Mata mineira mediante o pagamento de vantagens indevidas.



