Mesmo reconhecendo que sintomas como sangue nas fezes e alterações no funcionamento do intestino podem indicar problemas graves de saúde, muitos brasileiros ainda demoram a procurar atendimento médico. O alerta é de uma pesquisa realizada pelo Hospital A. C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país sobre o conhecimento da população em relação ao câncer colorretal.
O levantamento mostra que oito em cada dez entrevistados reconhecem que a presença de sangue nas fezes e mudanças persistentes no funcionamento do intestino são sinais preocupantes. Apesar disso, quase metade das pessoas que apresentaram esses sintomas não buscou atendimento médico imediatamente.
Entre os entrevistados, 9% relataram já ter percebido sangue nas fezes. Desses, 59% procuraram um médico logo após notar o sintoma. No entanto, 19% preferiram esperar que o problema desaparecesse sozinho, 10% adiaram a consulta por dias ou semanas, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% buscaram medicamentos diretamente em farmácias e 1% pesquisou na internet antes de procurar orientação profissional.
Outro dado que chama a atenção é o desconhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), um dos principais exames para identificar precocemente sinais do câncer colorretal. Segundo o estudo, 67% dos brasileiros nunca ouviram falar do exame, enquanto apenas 11% já realizaram o procedimento. O desconhecimento é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos, homens e pessoas com menor renda e escolaridade.
A pesquisa também revelou que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal. Para a maioria dos participantes, a doença ainda é pouco conhecida, o que pode contribuir para o diagnóstico tardio.
O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforça que sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal, dor abdominal frequente e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados.
O especialista recomenda que exames preventivos sejam realizados a partir dos 45 anos, ou antes, nos casos em que houver histórico familiar ou indicação médica. Segundo ele, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura, especialmente quando a doença é identificada por exames simples, como a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes e a colonoscopia.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Atualmente, a doença é considerada o segundo tipo de câncer mais incidente no país, reforçando a importância da prevenção, do rastreamento e da busca por atendimento médico diante dos primeiros sinais.



