As despesas públicas do Brasil ultrapassaram a marca de R$ 3 trilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O painel acompanha, em tempo real, os pagamentos realizados pelos governos federal, estaduais, municipais e pelo Distrito Federal.
De acordo com o levantamento, entre 1º de janeiro e 15 de julho, o governo federal foi responsável por cerca de R$ 1,4 trilhão em despesas. Os municípios somaram aproximadamente R$ 829 bilhões, enquanto os estados e o Distrito Federal registraram gastos de cerca de R$ 811 bilhões.
Os números também revelam que os gastos públicos superam a arrecadação de tributos. Conforme comparação com o Impostômetro, a diferença já chega a R$ 831,8 bilhões, já que a arrecadação de impostos no mesmo período alcançou aproximadamente R$ 2,2 trilhões.

Outro dado que chama atenção é o peso das despesas com a Previdência, que totalizam R$ 858 bilhões nas três esferas de governo. Segundo o coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB, Cláudio Queiroz, esse tipo de despesa representa cerca de 74% da despesa primária, indicando a necessidade de revisão das contas públicas.
Queiroz também avalia que o fato de 2026 ser um ano eleitoral pode ter contribuído para a aceleração dos gastos. Segundo ele, a marca de R$ 3 trilhões foi atingida cerca de 20 dias antes do registrado em 2025, o que pode gerar desafios fiscais para a próxima administração.
Criada em 2025, a plataforma Gasto Brasil contabiliza apenas os valores efetivamente pagos pelos governos. A ferramenta reúne informações sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais, investimentos em obras, aquisição de imóveis e outras áreas, com o objetivo de ampliar a transparência das contas públicas e facilitar o acompanhamento dos gastos pela sociedade.



