O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (07) a atualização semestral do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Nesta rodada, 169 novos nomes foram incluídos, elevando o total da lista para 613 empregadores, um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior.
Entre os destaques está a montadora chinesa BYD, localizada em Camaçari (BA), no antigo complexo industrial da Ford, cuja primeira fábrica de veículos elétricos e híbridos no Brasil teve investimento de R$ 5,5 bilhões e foi inaugurada em outubro de 2025.
A inclusão da BYD ocorreu após diligências da Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA), realizadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Durante as inspeções, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos irregularmente ao Brasil, sendo que 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.
Segundo os auditores-fiscais, a montadora teve responsabilidade direta pela contratação irregular e pelas condições degradantes aos trabalhadores. Foram constatadas jornadas exaustivas de pelo menos 10 horas diárias, restrição de locomoção, alojamentos precários sem colchões, armários ou refeitórios adequados, e cozinhas insalubres.
Além disso, a fiscalização apontou indícios de fraude às autoridades migratórias e subordinação direta dos trabalhadores à empresa, caracterizando relação de emprego conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Em janeiro de 2026, a BYD firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, no valor de R$ 40 milhões, para regularização das obrigações trabalhistas.
Outro caso recente incluído na lista envolve um cantor e empresário do agronegócio, autuado por condições análogas à escravidão envolvendo 14 trabalhadores em suas propriedades. A assessoria do empresário informou que todas as pendências foram regularizadas após assinatura de um TAC com o MPT.
O MTE reforça que a divulgação semestral da lista tem como objetivo dar visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo, alertando a sociedade e fortalecendo a fiscalização.



