O mercado financeiro brasileiro voltou a registrar forte instabilidade nesta sexta-feira (20/03), com o dólar ultrapassando a marca de R$ 5,30 e a bolsa de valores operando em queda acentuada, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário internacional.
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,309, com alta de 1,79%. A moeda chegou a abrir próxima de R$ 5,24, mas ganhou força ao longo do dia, acompanhando o movimento global de valorização diante das incertezas econômicas e geopolíticas. No acumulado de março, a divisa sobe 3,41%, embora ainda registre queda de 3,28% em 2026.
No mercado de ações, o Ibovespa recuou 2,25%, fechando aos 176.219 pontos, no menor nível desde janeiro. Esta foi a quarta semana consecutiva de perdas do principal índice da bolsa brasileira, que acumula queda de 6,66% no mês, apesar de ainda registrar alta de 9,37% no ano.
A pressão sobre os ativos brasileiros tem origem, principalmente, no cenário externo. Investidores reagiram à alta dos juros nos Estados Unidos e à expectativa de uma postura mais rígida do Federal Reserve no combate à inflação, impulsionada pelo aumento dos preços de energia.
O agravamento das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, também elevou o nível de incerteza global. A possibilidade de interrupções no fornecimento de petróleo, incluindo riscos no estratégico Estreito de Ormuz, aumentou a cautela entre investidores.
Nesse contexto, o petróleo tipo Brent fechou acima de US$ 112 por barril, com alta superior a 3% no dia, chegando a atingir US$ 115 durante as negociações. O avanço reforça preocupações com um possível choque prolongado nos preços de energia e seus impactos na inflação global.
No Brasil, o real esteve entre as moedas emergentes mais pressionadas, refletindo a saída de capital estrangeiro e a redução da exposição a ativos de maior risco. Na bolsa, ações ligadas ao consumo e ao crédito, como as dos setores de varejo e construção civil, lideraram as perdas, impactadas pela alta dos juros e pelo cenário externo adverso.



