Uma declaração feita por um padre durante uma missa em uma igreja católica de Pingo-d’Água, no Vale do Aço, provocou forte repercussão e dividiu opiniões entre os fiéis. Durante a celebração, o religioso criticou católicos que concordam com posicionamentos do deputado federal Nikolas Ferreira e afirmou que aqueles que não apoiam o auxílio do gás destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade deveriam deixar a igreja e não receber a Eucaristia.
A fala causou desconforto entre parte dos presentes. Conforme relatos, alguns fiéis se levantaram e deixaram o local após a declaração do padre, enquanto outros permaneceram na igreja, mas demonstraram insatisfação com o posicionamento adotado durante a celebração religiosa.

O episódio rapidamente ganhou repercussão fora do templo e passou a circular nas redes sociais, onde gerou debates acalorados envolvendo religião, política e os limites da atuação da igreja em temas de cunho social e ideológico. Internautas se dividiram entre críticas à postura do religioso e manifestações de apoio à defesa de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.
A Eucaristia é um dos principais sacramentos da Igreja Católica e representa o corpo e o sangue de Jesus Cristo, sob as espécies do pão e do vinho.
Para os católicos, durante a missa, ocorre a consagração, momento em que o pão e o vinho deixam de ser apenas símbolos e se tornam, pela fé, o próprio Cristo. A Eucaristia recorda a Última Ceia, quando Jesus partilhou o pão e o vinho com seus discípulos e pediu que esse gesto fosse repetido em sua memória.
Além do aspecto religioso, a Eucaristia simboliza:
- Comunhão: união dos fiéis com Cristo e entre si
- Partilha: fraternidade e cuidado com o próximo
- Fé e espiritualidade: fortalecimento da vida cristã
Por isso, a Eucaristia é considerada o centro da vida cristã católica e só pode ser ministrada por um padre ou bispo, seguindo normas específicas da Igreja.
Após a repercussão do episódio, a Diocese de Caratinga divulgou uma nota oficial esclarecendo sua posição. No comunicado, a instituição reafirma o “compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões”, destacando que o ambiente litúrgico deve ser um espaço de acolhida, paz e oração, no qual todos os fiéis se sintam integrados à comunhão de Cristo, independentemente de posicionamentos políticos. Ainda segundo a Diocese, o padre Flávio Ferreira Alves reconheceu que a declaração foi feita em um momento de forte emoção e que não está alinhada às orientações pastorais da Igreja. O sacerdote manifestou arrependimento e pediu perdão à comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos.
Na nota, a Diocese reforça que a Igreja Católica ensina que a Eucaristia é o sacramento da unidade e, portanto, não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação entre os fiéis.




