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quinta-feira, fevereiro 29

Laudo da Polícia Civil não identifica dietilenoglicol na água em produção da Backer

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A cervejaria Backer vazou, na tarde desta terça-feira (04/02), o laudo preliminar da perícia realizada pela Polícia Civil que não identifica a presença de dietilenoglicol e monoetilenoglicol na água usada para fazer a produção.

Isso quer dizer que o laudo não identificou a presença de nenhuma das substâncias no tanque de brassagem (utilizado para a fabricação do mosto cervejeiro de toda a cadeia produtiva da empresa).

Com isso, a cervejaria reiterou, por nota, que o laudo aponta para inexistência de alguma regularidade, uma vez que não há problema conter as substâncias no sistema de refrigeração.

O laudo, porém, constatou a presença de dietilenoglicol e monoetilenoglicol nos tanques de refrigeração. Apesar do resultado, a Backer sempre negou o uso do dietileno na produção. 

O resultado difere do laudo apresentado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ( Mapa), em que ficou constatada a presença das substâncias na água utilizada na preparação do mosto. Além disso, o Mapa já confirmou a presença dos contaminantes em 10 rótulos de 41 lotes da marca.

Segundo o vice-presidente da Sindbebidas, Marco Antônio Falcone, o tanque de brassagem (onde não foi identificada contaminação pela PC) deve conter apenas água para a produção da cerveja. 
Já no tanque de refrigeração é onde são colocados algum tipo de anti-congelante (monoetileno e dietileno) e que a substância não entra em contato com a cerveja, a não ser que ocorra algum vazamento.

Ainda conforme Falcone, a maioria das cervejarias artesanais utilizam solução de água com etanol, para diminuir o risco de contaminação.  

“A escolha por monoetilenoglicol é pela eficiência, uma vez que ele dura mais nas serpentinas, no entanto, o risco de contaminação aumenta. No caso do etanol, se houver vazamento, isso afetará apenas a qualidade do produto, mas não colocará em risco a saúde do consumidor”, explicou. 

A Polícia Civil informou que os advogados da Backer tem acesso aos laudos pois é constitucional, no entanto o órgão informou que não irá comentar o resultado. 

“As amostras recolhidas tanto na cervejaria, quanto da empresa química que vendia o monoetilenoglicol, continuam sendo analisadas pelas equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC), de forma criteriosa. Ainda não há previsão para a conclusão da maioria dos laudos. Os que estão prontos já foram disponibilizados para os advogados da empresa, atendendo aos princípios constitucionais e modernos atinentes ao inquérito policial. A PCMG não vão comentar nenhum resultado isoladamente e falará sobre os exames, em momento oportuno, para não atrapalhar os trabalhos”, diz nota.

À reportagem, o Mapa manteve o resultado obtido no laudo já divulgado. Segundo a pasta, o setor técnico encontrou traços dos contaminantes dietilenoglicol e monoetilenoglicol nas análises realizadas nas amostras de água do trocador de placas e do tanque de água fria.  Segundo o órgão, as amostras foram colhidas no dia 10 de janeiro pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal/Mapa.

O que diz a Backer

Em nota, a cervejaria afirmou  que o monoetilenoglicol é utilizado somente na parte externa dos tanques de fermentação e maturação da cerveja, etapas que são posteriores ao resfriamento do mosto. 

A empresa  explicou que utiliza um pré-trocador menor de água, na temperatura natural, e depois o trocador normal, com apenas gelada. Com esse sistema, a cervejaria consegue resfriar o mosto sem precisar usar o líquido refrigerante ou um trocador de dois estágios e que em momento algum utiliza  monoetilenoglicol  ou qualquer outro líquido refrigerante, que não seja a água pura, para fazer a troca térmica desse sistema.

Contaminação

Segundoo último boletim divulado pela Secretaria de Estado de Saúde, já são 30 o número de pacientes com suspeitas de intoxicação pela substâcia. Ao todo, seis pessoas morreram, sendo apenas com a contaminação confirmada, as outras cinco mortes seguem sob investigação. 

A Backer se reúne a longo dessa semana individualmente com as famílias das vítimas para atender as demandas de cada um. 

O Ministério Público estipulou um prazo de 72h após cada reunião para que a cervejaria possa apresentar uma resposta para às exigências dos familiares.  

Fonte – OTempo

 

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